Biblioteca Casa Tapera

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Biblioteca Casa Tapera revoluciona acesso à leitura com tecnologia, acervo vivo e ambiente imersivo na zona rural do Espírito Santo

A Biblioteca Casa Tapera, localizada na comunidade de Amorim, zona rural de Muniz Freire (ES), acaba de dar um passo inédito na democratização do acesso à leitura no interior do estado. O espaço — conhecido por sua estética rústica inspirada nas antigas casas de colonos e pelo trabalho dedicado à memória cultural do Caparaó — está implementando um conjunto de inovações que unem tradição e tecnologia de ponta, transformando a experiência do leitor em algo interativo, sensorial e totalmente imersivo.

Desde 2023, a Tapera vem realizando um extenso trabalho de organização técnica de acervo, com criação de sinopses originais e padronizadas para mais de uma centena de obras, permitindo ao visitante compreender rapidamente o conteúdo de livros de literatura, história, filosofia, cultura popular e títulos regionais. Para isso, foi desenvolvido um sistema próprio de sinopses por comando de voz, onde o leitor pode acionar a assistente virtual para ouvir descrições, curiosidades ou informações sobre qualquer obra disponível na biblioteca.

Outra frente em expansão é o novo site oficial da Casa Tapera, que passa a oferecer pesquisa integrada de livros, navegação por temas, autores, coleções e um inovador sistema de pedido online, pensado especialmente para estudantes da rede pública e moradores da zona rural. Com isso, a biblioteca rompe barreiras geográficas e facilita o acesso ao seu acervo, permitindo que qualquer pessoa consulte, reserve ou solicite livros com poucos cliques.

Mas talvez a iniciativa mais ousada seja o projeto de transformar a biblioteca em um ambiente completamente imersivo, unindo Realidade Aumentada (RA) e Realidade Virtual (RV) para criar novas formas de vivenciar literatura e patrimônio. A proposta prevê, por exemplo, que leitores possam apontar o celular para capas de livros e acessar conteúdos extras — vídeos, mapas, imagens e áudios — ou caminhar com óculos de RV por cenários literários e reconstruções históricas do território, aproximando o público jovem de obras clássicas e da memória cultural local.

“A Tapera nasceu de uma casa em ruínas, reconstruída para guardar histórias. Agora, queremos que essas histórias ganhem novas camadas, novas portas de entrada”, explica o criador do espaço, que há mais de 16 anos atua no campo cultural como produtor, cineclubista e videomaker. “O objetivo é que o aluno da zona rural tenha acesso à mesma experiência cultural que encontraria numa grande capital.”

Além da biblioteca, a Casa Tapera mantém o Cine Tapera, o Museu Comunitário, produções de podcast, webséries, registros audiovisuais e atividades educativas. Agora, com a entrada definitiva no campo tecnológico, o espaço se consolida como um dos projetos culturais mais inovadores do interior capixaba — uma combinação rara de memória, afeto e experimentação digital.

Com previsão de novas etapas nos próximos meses, a Biblioteca Casa Tapera deve se tornar um caso de referência em bibliotecas interativas no meio rural, ressignificando o papel da tecnologia como ponte entre passado e futuro, entre o livro e o leitor, entre o campo e o mundo.